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Complexidade | ||
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"Não é tanto a multiplicidade de componentes, nem mesmo a diversidade de suas inter-relações, que caracterizam a complexidade de um sistema: enquanto eles forem prática e exaustivamente enumeráveis estaremos diante de um sistema complicado (ou hiper-complicado), cuja enumeração combinatória poderia permitir a descrição de todos os comportamentos possíveis (e, com isso, predizer seu comportamento efetivo a cada instante, se a regra ou o programa que os rege for conhecida): em termos matemático-informaticos se diz então que se está diante de um 'problema polinomial' ('P. Problem'). "É a imprevisibilidade potencial (não calculável a priori) dos comportamentos desse sistema, ligada particularmente à recursividade que afeta o funcionamento de seus componentes ('funcionando eles se transformam'), suscitando fenômenos de emergência sem dúvida inteligíveis, mas nem sempre previsíveis. Os comportamentos observados dos sistemas vivos e dos sistemas sociais fornecem exemplos incontáveis dessa complexidade. Durante dois séculos, a ciência positiva pareceu 'abaixar os braços' diante desses fenômenos, preferindo querer conhecer o 'cientificamente previsível' ou calculável, antes que G. Bachelard lhe relembrasse 'seu ideal de complexidade' que é tornar o maravilhoso inteligível sem destruí-lo. Ao introduzir o conceito de 'complexidade organizada' em 1948, W. Weaver iria reabrir novas vias para a 'inteligência da complexidade' que P. Valéry já tinha definido como 'uma inteligível imprevisibilidade essencial'. Edgar Morin, a partir de 1977 ('La Méthode', T. 1) estabelecerá o 'Paradigma da complexidade' que, a partir de então, assegura o quadro conceitual no qual podem se desenvolver nossos exercícios de modelização dos fenômenos que percebemos complexos ('ponto-de-vista'): uma complexidade ao mesmo tempo organizada e, recursivamente, organizante." (Tradução do verbete "Complexidade" do site do Programme Européen MCX "Modélisation de la Complexité": http://www.mcxapc.org/index.php ) | ||
E |
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ESPIRITUALIDADE | ||
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?Boff explica a espiritualidade humana, considerando o sentido antropológico presente no termo:
Quando nos referimos aqui à
espiritualidade entendemos o termo num sentido antropológico e
menos num sentido especificamente religioso. Significa a
capacidade que o ser humano, homem e mulher, tem de dialogar com
o seu eu profundo e entrar em harmonia com os apelos que vêm de
sua interioridade. Essa compreensão pode ser realizada por
professantes de algum credo religioso como por agnósticos e
descrentes. Cada um se encontra com sua estrutura de desejo, com
um horizonte utópico, com o masculino e feminino dentro de si,
com o universo de sua interioridade. O processo de personalização
supõe uma integração desta dimensão que confere serenidade e paz
à vida humana. (1994:36)? ?Morin aponta a fé como o mais intenso fenômeno psicocultural, podendo operar a cura ou a morte. Desse modo, feitiços, pragas e maldições podem matar, assim como os milagres podem curar. Cérebro e espírito são, então, uma dupla subordinação cuja unidualidade complexa considera seus caracteres próprios e simultâneos, sabendo-se que não se pode reduzir cada um dos dois termos e que, apesara disso, ambos são unidades complexas; há entre eles dependência e uma relação circular e ainda a insuperabilidade da contradição característica da unidade.? (Petraglia, 2001:97) ?Morin nos remete às reflexões do que compreende por religião e verdade: Toda a evidência, toda certeza, toda a posse possuída da verdade é religiosa no sentido primordial do termo: ela liga o ser humano à essência do real, e estabelece, mais que uma comunicação, uma comunhão. Julgou poder opor-se radicalmente convicção religiosa e convicção teórica, parecendo apenas a primeira de natureza existencial. De facto, a Fé das grandes religiões transmite segurança, alegria, libertação; a verdade da Salvação assegura a vitória da Certeza sobre a dúvida, traz a Resposta à angústia perante o destino e a morte. Todavia, em virtude do sentido que aqui se reconhece no termo ?religião?, pode haver uma componente religiosa na adesão às doutrinas ou teorias, mesmo científicas, e esta componente religiosa tem a ver com a natureza profunda do sentimento de verdade. (1986b:125)? (Petraglia, 2001:99) ?(...) a magia e a religião constituem uma maneira de assegurar as relações de intercâmbio, de compromisso, de segurança, de entreajuda, com as forças e com os seres mitológicos que não existiriam sem nós, mas que nos controlam. Dominado ou explorado, pelos seus deuses e pelos seus génios, o sapiens procura, por seu lado, domá-los, utilizá-los. Serve-os, alimenta-os, oferece-lhes sacrifícios, canta-lhes elogios, dirige-lhes orações, para que, por sua vez, eles lhe assegurem comida, sucesso, protecção, vitória, imortalidade. Assim, o mito, o rito, a magia, a religião, asseguram um compromisso, não só com as forças noológicas, quer dizer, um compromisso interno, no interior do espírito humano, com as suas próprias fantasias, com a sua própria desordem, com a sua própria ubris, com as suas próprias contradições, com a sua própria natureza crísica.(Morin, 1973:141)? (Petraglia, 2001:100) ?Edgard de Assis Carvalho assim se expressou: Aqui a gente precisava ter mesmo a noção do que é essa visão espiritual, porque dimensão espiritual não necessariamente pode supor um ser divino, mas ela pode pressupor um idéia de transcendência, que não necessariamente se identifica com a divindade. (...) A dimensão espiritual no paradigma da complexidade, acho que é esse outro lado. Ela é o poético, ela é o mítico, o mágico, o imaginário que todos nós temos.? (Petraglia, 2001:106)
?O espírito é a experiência interior do corpo? (Jung apud Lowen, 1990)
?Se
aceitarmos a idéia de que os seres humanos são criaturas
espirituais, também teremos de admitir que a saúde está
relacionada com a espiritualidade. Estou convencido de que a
perda do senso de ligação com as outras pessoas, com os animais e
com a natureza tem como resultado uma séria perturbação na saúde
mental.? (Lowen, 1990:15) Referências: Lowen A 1990. A Espiritualidade do Corpo: Bioenergética para a Beleza e a Harmonia. Editora Cultrix, São Paulo. Petraglia I 2001."Olhar sobre o olhar que olha" Complexidade, Holística e Educação. Editora Vozes, Rio de Janeiro. Verbete construído por Eduardo Costa | ||
É |
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Ética | ||
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"A ética é, para os indivíduos autônomos e responsáveis, a expressão do imperativo da religação. Todo ato ético é, na realidade, um ato de religação, com o outro, com os seus, com a comunidade, com a humanidade e, em última instância, inserção na religação cósmica." (MORIN, 2005, p. 36) "A ética é complexa por ser de natureza dialógica e ter sempre de enfrentar a ambigüidade e a contradição. É complexa por estar exposta à incerteza do resultado e comportar aposta e estratégia. É complexa por não impor uma visão maniqueísta do mundo e renunciar à vingança punitiva. É complexa por ser uma ética da compreensão, sabendo-se que a compreensão reconhece a complexidade humana." (MORIN, 2005, p.195-196) MORIN, Edgar. O método 6: ética. Porto Alegre: Sulina, 2005. Contribuição de Ana Braga de Lacerda | ||
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Sistemas Complexos | ||
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| Características
de Sistemas Complexos: "1. É um sistema dinâmico em evolução constante, formado de um grande número de unidades. No cérebro, há da ordem de uma centena de bilhões de neurônios.
Situações análogas à da Figura 2b são típicas para sistemas complexos: o sistema pode evoluir passando por um grande número de estados diferentes de ?quase-equilíbrio?. Na física, esse fenômeno foi encontrado em materiais chamados ?vidros de spin?. No caso do cérebro, poderíamos exemplificar tais estados por memórias de longo prazo nele armazenadas (ver o capítulo ?Mecanismos das memórias?). Pequenas perturbações podem levar o sistema de um estado a outro: o sabor de um doce mergulhado em chá evocou em Proust a memória de toda a sua infância. Isso pode ocorrer mesmo na presença de ?ruído?, como todas as demais sensações que o afetavam naquele instante.
10. Quebra de ergodicidade: este termo técnico caracteriza o fato de que o sistema, numa paisagem (Figura 2b), pode ficar encalhado por muito tempo em alguns dos poços, deixando de visitar todos ou quase todos os estados possíveis. Seu comportamento mostra ?histerese? (dependência de história anterior).
Podemos comparar esse efeito ao que ocorre nas transições de fase, mudanças do estado de um sistema do tipo das transições gelo ? água ? vapor, também chamadas de fenômenos críticos. Nelas igualmente novas propriedades coletivas emergem a partir de interações locais entre as moléculas. Entretanto o estado crítico é atingido quando se sintoniza um parâmetro do controle externo, como a temperatura ou a pressão, ao passo que nos sistemas complexos ele é atingido pela evolução espontânea do próprio sistema: é a criticalidade auto-organizada, que discutiremos mais adiante.
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Sociedades policontexturais | ||
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| Llamamos "sociedades policontexturales"
a aquellas en las que se produce la posibilidad formal de
diferentes observaciones simultáneas y se renuncia, por tanto a la
seguridad última de la unidad de la
observación. No existe pues un único "Lebenswelt", común a
todos los
observadores como referencia única, sino que partimos en
nuestras observaciones de la pluralidad de mundos y de sistemas de
referencias. Luhmann lo toma de G. Günther ("Life as
Poly-Contexturality", en Beiträge zur Grundlegung einer
operationsfähiger Dialektik II, Hamburg, 1979). En una sociedad
policontextural la diferenciación no
contempla un horizonte dentro del cual alguna actividad parcial
pueda pensarse como esencial, pues todas lo son. Asumo este
neologismo tomado de los escritos recientes de Niklas Luhmann en el
sentido, referido inicialmente a una disposición del arte de tejer
(la trama o entramado), del significado que recoge el Diccionario
para “Contextura”, de "Compaginación, disposición y unión
respectiva de las partes que juntas componen un todo" (DRAE, 1984).
A diferencia del "Contexto" (y el admitido adjetivo "contextual")
que tiene como referencia primaria un entorno, la contextura se
refiere a la complejidad del sistema. Se refiere con ello también a
que la complejidad implica tal cantidad de posibilidades que obliga
a proceder selectivamente. Además de la significación tomada de
G.Günther, nos interesa en este contexto señalar otra de las
características de este tipo de sociedades. Me refiero al excedente
de posibilidades (no sólo excedente cuantitativo, sino también
cualitativo) que nos obliga a los ciudadanos de tales sociedades a
proceder selectivamente. El mantenimiento de la multiplicidad de
posibilidades implica que el sentido está siempre vinculado a lo
plural por lo que la reducción de posibilidades nunca puede
formularse binariamente («o esto o lo otro») sino, al menos,
ternariamente («esto, lo otro o lo de más allá»). Esto tiene
consecuencias para el sistema político y para la forma
«democracia». Definición aportada polo profesor Juan Luís Pintos, director do Grupo Compostela de Estudo sobre os Imaxinarios Sociais (http://gceis.net) | ||
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Sujeito da/na Transdisciplinaridade | ||
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A questão do sujeito remete-nos aos três pilares da transdisciplinaridade - os níveis de Realidade, a lógica do Terceiro Termo Incluído e a Complexidade que determinam a metodologia da pesquisa transdisciplinar (Basarab, 1997). O sujeito a partir da/na transdisciplinaridade pode ser olhado, pensado, sentido e percebido como um sujeito complexo. Um sujeito que esteja através, entre e além da dualidade sujeito-objeto. Faz-se necessário um olhar que contemple os diferentes níveis de percepção e conseqüentemente, de realidade. Para Morin (2002) " 'Eu sou eu' é o princípio que permite estabelecer, a um só tempo, a diferença entre o "Eu" (subjetivo) e o eu (sujeito objetivado), e sua indissolúvel identidade (p.120). "Eu sou eu" inclui uma dualidade implícita - em seu ego, o sujeito é potencialmente outro, sendo ao mesmo tempo, ele mesmo. "É porque o sujeito traz em si mesmo a alteridade que ele pode comunicar-se com outrem" (...) "A compreensão permite considerar a outro não apenas como ego alter, um outro indivíduo sujeito, mas também como alter ego, um outro eu mesmo, com quem me comunico, simpatizo, comungo" (p.123). O terceiro termo incluído, parece permitir ao sujeito romper com a lógica do Terceiro Excluído que afirma não existir um terceito termo que é ao mesmo tempo A e não-A. "Para Lupasco, a lógica é, na verdade, 'a própria experiência da lógica': o sujeito de conhecimento está, ele próprio implicado na lógica por ele formulada. 'A experiência' é a experiência do sujeito. O caráter circular da afirmação 'lógica como própria experiência da lógica' decorre do caráter cirular do sujeito: para definir o sujeito, seria preciso levar em consideração todos os fenômenos, elementos, acontecimentos, estados e proposições que dizem respeito a nosso mundo e, além disso, a afetividade" (Basarab, 2001). Para Lupasco o sujeito nunca poderá ser definido. Pensando na complexidade o sujeito pode ser multidimensional, multifacetado, sapiens/demens, observador/ator/conceptor/observado e dialógico. (Morin, 2002).
Basarab, N. 1997. A Evolução Transdisciplinar a
Universidade - Morin, E. 2002. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 6.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Nicolescu, B. 2001. O terceiro incluído, da física quântica à ontologia. In: Stéphane Lupasco: o homem e a obra. São Paulo: TRIOM, 2001. | ||
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