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Este Glossário tem por finalidade fornecer aos pesquisadores noções básicas de conceitos que atravessam a reflexão transdisciplinar e ele estará em construção permanente, pois será elaborado pelos participantes desta Rede, que poderão, a qualquer momento, introduzir um verbete novo ou acrescentar uma definição nova ou mais abrangente a uma ou mais definições já presentes no Glossário.


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A

Picture of Américo Sommerman
by Américo Sommerman - Friday, 2 June 2006, 10:22 AM
 "Há auto-organização cada vez que, a partir de um encontro entre elementos realmente (e não analiticamente) distintos, desenvolve-se um interação sem supervisor (ou sem supervisor onipotente) - interação essa que leva eventualmente à constituição de uma 'forma' ou à reestruturação, por 'complexificação', de uma forma já existente

"a) Há auto-organização primária quando a interação seguida de eventual integração se realiza entre elementos totalmente distintos (ou havendo, pelo menos, predominância de tais elementos), num processo sem sujeito nem elemento central nem finalidade imanente ? as possíveis finalidades situando-se a nível dos elementos.

"b) Há auto-organização secundária quando, num processo de aprendizagem (corporal, intelectual ou existencial), a interação se desenvolve entre as partes (?mentais? e/ou ?corporais?) de um organismo ? a distinção entre as partes sendo então ?semi-real? -, sob a direção hegemônica mas não dominante da ?face-sujeito? desse organismo"

 Michel Debrun, A idéia de Auto-organização. In: Debrun, M., M.E.Q., Pessoa Junior, O. (orgs.) Auto-organização: estudos interdisciplinares. Campinas: UNICAMP/CLE, p. 13.

Conforme Debrun (op. cit. pp. 51-52), no ponto de partida da auto-organização "primária" não existe identidade e nem mesmo se pode dizer que ela seja esperada desde o início do processo. Não há uma "finalidade global prévia", mas os elementos que vão entrar na constituição dessa forma global "podem ter finalidades, intenções, projetos" que, ao longo do processo de auto-organização, são "neutralizadas ou redefinidas". No caso da auto-organização "secundária", a identidade é o ponto de partida, é quem decide as reestruturações e serve de ponto de partida para um novo processo auto-organizado.

Este verbete foi criado por Américo Sommerman.

C

Picture of Américo Sommerman
by Américo Sommerman - Thursday, 6 July 2006, 10:46 AM
 

"Não é tanto a multiplicidade de componentes, nem mesmo a diversidade de suas inter-relações, que caracterizam a complexidade de um sistema: enquanto eles forem prática e exaustivamente enumeráveis estaremos diante de um sistema complicado (ou hiper-complicado), cuja enumeração combinatória poderia permitir a descrição de todos os comportamentos possíveis (e, com isso, predizer seu comportamento efetivo a cada instante, se a regra ou o programa que os rege for conhecida): em termos matemático-informaticos se diz então que se está diante de um 'problema polinomial' ('P. Problem').

"É a imprevisibilidade potencial (não calculável a priori) dos comportamentos desse sistema, ligada particularmente à recursividade que afeta o funcionamento de seus componentes ('funcionando eles se transformam'), suscitando fenômenos de emergência sem dúvida inteligíveis, mas nem sempre previsíveis. Os comportamentos observados dos sistemas vivos e dos sistemas sociais fornecem exemplos incontáveis dessa complexidade. Durante dois séculos, a ciência positiva pareceu 'abaixar os braços' diante desses fenômenos, preferindo querer conhecer o 'cientificamente previsível' ou calculável, antes que G. Bachelard lhe relembrasse 'seu ideal de complexidade' que é tornar o maravilhoso inteligível sem destruí-lo. Ao introduzir o conceito de 'complexidade organizada' em 1948, W. Weaver iria reabrir novas vias para a 'inteligência da complexidade' que P. Valéry já tinha definido como 'uma inteligível imprevisibilidade essencial'. Edgar Morin, a partir de 1977 ('La Méthode', T. 1) estabelecerá o 'Paradigma da complexidade' que, a partir de então, assegura o quadro conceitual no qual podem se desenvolver nossos exercícios de modelização dos fenômenos que percebemos complexos ('ponto-de-vista'): uma complexidade ao mesmo tempo organizada e, recursivamente, organizante."

(Tradução do verbete "Complexidade" do site do Programme Européen MCX "Modélisation de la Complexité": http://www.mcxapc.org/index.php )

E

Picture of Oscar Fernández Kuaruma
by Oscar Fernández Kuaruma - Friday, 19 May 2006, 12:32 PM
  Se trata de todas aquellas manifestaciones de la vida y de la espiritualidad humana que pasan por lo ecológico. de allí que hoy día nos atrevamos a hablar de ecocultura, ya que la misma atraviesa las organizaciones sociales y las prácticas individuales, siendo estas partícipes de una nueva visión (o tal vez no) si consideramos que nuestros indigenas ya la practican desde hace milesde años), de esta forma las ecodisciplinas no son mas que la manifestación generalista de una necesidad postantropocéntrica y tal vez el primer paso para la construcción de un mundo geocéntrico o ¿quizás cosmocéntrico?
Picture of
by - Saturday, 26 November 2005, 10:25 AM
 Os Seis princípios de Esperança na Desesperança (1)

(...)A desesperança nasce da consciência sobre as carências do Homo
sapiens/demens e das manifestações históricas do ruído e do furor que,
tantas vezes fizeram tábula rasa da razão e do amor. Essa dialógica
dispõe de seis princípios de esperança na desesperança:

·Princípio vital: assim como tudo o que vive se auto-regenera numa
tensão irredutível para o futuro, também todo o humano regenera a
esperança regenerando sua vida. Não é a esperança o que faz viver, é o
viver que cria a esperança que permite viver.

·Princípio do inconcebível: todas as grandes transformações ou
criações foram impensáveis antes de ocorrer.

·Princípio do improvável: todos os acontecimentos felizes da história
foram, a priori, improváveis.

·Princípio da toupeira: que cava suas galerias subterrâneas e
transforma o subsolo antes que a superfície se veja afetada.

·Princípio de salvação: é a consciência do perigo que, segundo
Hölderlin, sabe que "onde cresce o perigo, cresce também o que salva".

·Princípio antropológico: é a constatação de que Homo sapiens/demens
usou até o presente uma pequena porção das possibilidades de seu
espírito/cérebro. Isso supõe compreender que a humanidade se encontra
longe de ter esgotado suas possibilidades intelectuais, afetivas,
culturais, civilizacionais, sociais e políticas. Nossa cultura atual
corresponde ainda à pré-história do espírito humano e nossa
civilização não ultrapassou a idade de ferro planetária.

Estes princípios não trazem consigo nenhuma segurança, mas não podemos
livrar-nos nem da desesperança nem da esperança. A odisséia da
humanidade permanece desconhecida, mas a missão da educação planetária
não é parte da luta final, e sim da luta inicial pela defesa e pelo
devir de nossas finalidades terrestres; a salvaguarda da humanidade e
o prosseguimento da hominização. (p.111)

(1) Morin E, Ciurana E & Motta R 2003. Educar na era planetária
? o pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e
incerteza humana Cortez Editora, São Paulo.


Verbete construído por Eduardo Costa



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by - Saturday, 26 November 2005, 10:26 AM
 

?Boff explica a espiritualidade humana, considerando o sentido antropológico presente no termo:

Quando nos referimos aqui à espiritualidade entendemos o termo num sentido antropológico e menos num sentido especificamente religioso. Significa a capacidade que o ser humano, homem e mulher, tem de dialogar com o seu eu profundo e entrar em harmonia com os apelos que vêm de sua interioridade. Essa compreensão pode ser realizada por professantes de algum credo religioso como por agnósticos e descrentes. Cada um se encontra com sua estrutura de desejo, com um horizonte utópico, com o masculino e feminino dentro de si, com o universo de sua interioridade. O processo de personalização supõe uma integração desta dimensão que confere serenidade e paz à vida humana. (1994:36)?
(Petraglia, 2001:90)

?Morin aponta a fé como o mais intenso fenômeno psicocultural, podendo operar a cura ou a morte. Desse modo, feitiços, pragas e maldições podem matar, assim como os milagres podem curar. Cérebro e espírito são, então, uma dupla subordinação cuja unidualidade complexa considera seus caracteres próprios e simultâneos, sabendo-se que não se pode reduzir cada um dos dois termos e que, apesara disso, ambos são unidades complexas; há entre eles dependência e uma relação circular e ainda a insuperabilidade da contradição característica da unidade.? (Petraglia, 2001:97)

?Morin nos remete às reflexões do que compreende por religião e verdade:

Toda a evidência, toda certeza, toda a posse possuída da verdade é religiosa no sentido primordial do termo: ela liga o ser humano à essência do real, e estabelece, mais que uma comunicação, uma comunhão.

Julgou poder opor-se radicalmente convicção religiosa e convicção teórica, parecendo apenas a primeira de natureza existencial. De facto, a Fé das grandes religiões transmite segurança, alegria, libertação; a verdade da Salvação assegura a vitória da Certeza sobre a dúvida, traz a Resposta à angústia perante o destino e a morte. Todavia, em virtude do sentido que aqui se reconhece no termo ?religião?, pode haver uma componente religiosa na adesão às doutrinas ou teorias, mesmo científicas, e esta componente religiosa tem a ver com a natureza profunda do sentimento de verdade. (1986b:125)?

(Petraglia, 2001:99)

?(...) a magia e a religião constituem uma maneira de assegurar as relações de intercâmbio, de compromisso, de segurança, de entreajuda, com as forças e com os seres mitológicos que não existiriam sem nós, mas que nos controlam. Dominado ou explorado, pelos seus deuses e pelos seus génios, o sapiens procura, por seu lado, domá-los, utilizá-los. Serve-os, alimenta-os, oferece-lhes sacrifícios, canta-lhes elogios, dirige-lhes orações, para que, por sua vez, eles lhe assegurem comida, sucesso, protecção, vitória, imortalidade.

Assim, o mito, o rito, a magia, a religião, asseguram um compromisso, não só com as forças noológicas, quer dizer, um compromisso interno, no interior do espírito humano, com as suas próprias fantasias, com a sua própria desordem, com a sua própria ubris, com as suas próprias contradições, com a sua própria natureza crísica.(Morin, 1973:141)?

(Petraglia, 2001:100)

?Edgard de Assis Carvalho assim se expressou:

Aqui a gente precisava ter mesmo a noção do que é essa visão espiritual, porque dimensão espiritual não necessariamente pode supor um ser divino, mas ela pode pressupor um idéia de transcendência, que não necessariamente se identifica com a divindade. (...) A dimensão espiritual no paradigma da complexidade, acho que é esse outro lado. Ela é o poético, ela é o mítico, o mágico, o imaginário que todos nós temos.? (Petraglia, 2001:106)


?O espírito é a experiência interior do corpo? (Jung apud Lowen, 1990)

?Se aceitarmos a idéia de que os seres humanos são criaturas espirituais, também teremos de admitir que a saúde está relacionada com a espiritualidade. Estou convencido de que a perda do senso de ligação com as outras pessoas, com os animais e com a natureza tem como resultado uma séria perturbação na saúde mental.?
(Lowen, 1990:15)



Referências:

Lowen A 1990. A Espiritualidade do Corpo: Bioenergética para a Beleza e a Harmonia. Editora Cultrix, São Paulo.
Petraglia I 2001."Olhar sobre o olhar que olha" Complexidade, Holística e Educação. Editora Vozes, Rio de Janeiro.


Verbete construído por Eduardo Costa

É

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by Ana Lacerda - Monday, 10 April 2006, 10:26 PM
 

"A ética é, para os indivíduos autônomos e responsáveis, a expressão do imperativo da religação. Todo ato ético é, na realidade, um ato de religação, com o outro, com os seus, com a comunidade, com a humanidade e, em última instância, inserção na religação cósmica." (MORIN, 2005, p. 36)

"A ética é complexa por ser de natureza dialógica e ter sempre de enfrentar a ambigüidade e a contradição. É complexa por estar exposta à incerteza do resultado e comportar aposta e estratégia. É complexa por não impor uma visão maniqueísta do mundo e renunciar à vingança punitiva.

É complexa por ser uma ética da compreensão, sabendo-se que a compreensão reconhece a complexidade humana." (MORIN, 2005, p.195-196)

MORIN, Edgar. O método 6: ética. Porto Alegre: Sulina, 2005.

Contribuição de Ana Braga de Lacerda

I

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by Regina Coeli Moraes Kopke - Friday, 25 August 2006, 07:58 PM
 

INTEGRALIDADE

Muitos sentidos se combinam e entram em conflito na formação da idéia de Integralidade. Pelo aspecto legal, trata-se de um dos princípios do Sistema Único de Saúde ? SUS, previsto na Lei Orgânica da Saúde. Como valor para a saúde, a Integralidade relaciona-se com o movimento que ficou conhecido como medicina integral, que denunciava a especialização crescente dos profissionais de saúde. Desse momento, surge o primeiro conceito: o comportamento do profissional de saúde. Quando, no Brasil, as discussões da saúde se deslocaram da observação da prática médica para uma reestruturação do sistema, Integralidade passou a ser pensada como o próprio viés da mudança. Com a Reforma Sanitária Brasileira, a atenção integral se tornou uma das diretrizes do SUS. Talvez a principal delas. Incorporada ao sistema como princípio, a noção de Integralidade está presente em vários níveis das discussões e das práticas na área da saúde. Ela passa pelo comportamento dos profissionais isoladamente e em equipe, pelas relações dessas equipes com a rede de serviços como um todo, pela formação dos profissionais, pelas políticas públicas e por um desenho coletivo de sistema preparado para ouvir, entender e, a partir daí, atender às demandas e necessidades das pessoas. Escuta, cuidado, acolhimento, tratamento digno e respeitoso são algumas idéias que certamente participam dos sentidos da Integralidade. Olhar o ser humano como um todo, substituir o foco na doença pela atenção à pessoa, com sua história de vida e seu modo próprio de viver e adoecer são outras pistas. Reconhecer e lidar com diferentes saberes, abrir mão de modelos pré-estabelecidos e se dispor a discutir e experimentar os alcances e limites do que pode ser a Integralidade torna-se também um caminho. A Integralidade poderia ser encarada exatamente como essa ação social de interação democrática entre sujeitos no cuidado em qualquer nível do serviço de saúde.

Ver mais em:

LAPPIS-Integralidade e Saúde

Laboratório de Pesquisas sobre Práticas de Integralidade em Saúde

http://www.lappis.org.br

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S

Picture of Rafael Medeiros
by Rafael Medeiros - Sunday, 20 August 2006, 10:43 PM
 Características de Sistemas Complexos:

"
1. É um sistema dinâmico em evolução constante, formado de um grande número de unidades. No cérebro, há da ordem de uma centena de bilhões de neurônios.


2. Cada unidade interage com um certo número, bem menor, de outras, (um neurônio cerebral está ligado, em média, a milhares ou dezenas de milhares de outros). O sistema é aberto, interagindo com o meio ambiente.


3. Cada unidade produz uma resposta aos sinais que recebe das outras: o neurônio dispara ou não. Esta resposta não guarda uma simples relação de proporcionalidade ao estímulo recebido: o sistema é não-linear. O estímulo recebido também pode ser excitatório ou inibitório.


4. Frustração: levando em conta que os sinais recebidos de unidades diferentes podem ser contraditórios (disparar; não disparar), não dá para satisfazer a todos ao mesmo tempo. A resposta frustrará em geral alguma das entradas.


5. Aprendizado: o sistema é adaptativo ? em sua evolução constante, o cérebro muda as características das interconexões (por exemplo, o seu número e intensidade) em função da experiência adquirida pela interação com o ambiente (memória). Está é, de longe, a mais importante característica dos sistemas complexos que nos interessam, também chamados de sistemas complexos adaptativos (ver o capítulo ?Sistemas complexos adaptativos e algoritmos genéticos? de autoria de John Holland). É também aquela que torna mais difícil o tratamento matemático: a própria arquitetura básica do sistema vai mudando, à medida que ele evolui e interage com o ambiente.


6. Aleatoriedade: algumas características do sistema são distribuídas ao acaso. Assim, no caso do cérebro, as interconexões iniciais entre neurônios, no embrião, teriam um caráter parcialmente caótico, que depois será corrigido pela interação com o ambiente, eliminando conexões erradas ou redundantes (ver o capítulo ?A fabricação do cérebro?).


7. Ordem emergente: o sistema se auto-organiza de forma espontânea, criando ordem a partir de um estado desordenado, como exemplificado no item anterior ? que também ilustra o caráter adaptativo.


8. O sistema é hierárquico: por exemplo, um sinal luminoso que excita a retina é tratado em diversos níveis diferentes antes de atingir a sede cerebral da sensação visual.


9. Atratores múltiplos: um ?atrator? de um sistema dinâmico é uma situação para a qual muitos de seus possíveis estados iniciais tendem, após um tempo suficientemente longo (ver o capítulo ?Sistemas caóticos e sistemas complexos?).

Atratores


Assim, para um pedregulho situado numa encosta, um eventual atrator poderia ser uma posição de equilíbrio estável no fundo de um vale, para onde acabaria rolando sob os efeitos da erosão. Havendo dois poços (Figura 2a), ambos seriam atratores possíveis: qual deles seria atingido dependeria da história anterior. A Figura 2b ilustra uma ?paisagem? de atratores múltiplos.

Situações análogas à da Figura 2b são típicas para sistemas complexos: o sistema pode evoluir passando por um grande número de estados diferentes de ?quase-equilíbrio?. Na física, esse fenômeno foi encontrado em materiais chamados ?vidros de spin?.

No caso do cérebro, poderíamos exemplificar tais estados por memórias de longo prazo nele armazenadas (ver o capítulo ?Mecanismos das memórias?). Pequenas perturbações podem levar o sistema de um estado a outro: o sabor de um doce mergulhado em chá evocou em Proust a memória de toda a sua infância. Isso pode ocorrer mesmo na presença de ?ruído?, como todas as demais sensações que o afetavam naquele instante.


10. Quebra de ergodicidade: este termo técnico caracteriza o fato de que o sistema, numa paisagem (Figura 2b), pode ficar encalhado por muito tempo em alguns dos poços, deixando de visitar todos ou quase todos os estados possíveis. Seu comportamento mostra ?histerese? (dependência de história anterior).


11. Miríades de interações locais entre as unidades que formam o sistema, passando por diferentes configurações, através de efeitos de competição e cooperação, acabam conduzindo a propriedades coletivas emergentes, qualitativamente novas, do sistema como um todo. É o que o físico Philip Anderson caracterizou como ?mais é diferente?. No exemplo do cérebro, uma propriedade coletiva emergente seria a memória.

Podemos comparar esse efeito ao que ocorre nas transições de fase, mudanças do estado de um sistema do tipo das transições gelo ? água ? vapor, também chamadas de fenômenos críticos. Nelas igualmente novas propriedades coletivas emergem a partir de interações locais entre as moléculas. Entretanto o estado crítico é atingido quando se sintoniza um parâmetro do controle externo, como a temperatura ou a pressão, ao passo que nos sistemas complexos ele é atingido pela evolução espontânea do próprio sistema: é a criticalidade auto-organizada, que discutiremos mais adiante.


12. Estrutura fractal: Em muitos sistemas complexos, aparecem estruturas geométricas fractais, ou seja, de dimensão fracionária (ver o capítulo ?Fractais?). Um exemplo de fractal são os ?dedos viscosos? (Figura 3), que se formam, por exemplo, ao injetar água em alta pressão num fluído viscoso.

Dedos Viscosos


Idealmente, essa estrutura tem auto-similaridade em todas as escalas, ou seja, se ampliarmos uma das ramificações da figura, veremos que ela, se ramifica cada vez mais finas. Isso faz com que ocupe uma fração maior do espaço do que uma curva usual (de dimensão 1). Embora menor do que uma área (dimensão 2)."
H. Moysés Nussenzveig, Introdução à Complexidade. In: Nussenzveig, H. Moysés (org.) Complexidade & Caos. Rio de Janeiro: Editora UFRJ/COPEA, 1999 p. 11-13.


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Picture of Juan Coca
by Juan Coca - Saturday, 14 June 2008, 11:48 AM
 Llamamos "sociedades policontexturales" a aquellas en las que se produce la posibilidad formal de diferentes observaciones simultáneas y se renuncia, por tanto a la seguridad última de la unidad de la observación. No existe pues un único "Lebenswelt", común a todos los observadores como referencia única, sino que partimos en nuestras observaciones de la pluralidad de mundos y de sistemas de referencias. Luhmann lo toma de G. Günther ("Life as Poly-Contexturality", en Beiträge zur Grundlegung einer operationsfähiger Dialektik II, Hamburg, 1979). En una sociedad policontextural la diferenciación no contempla un horizonte dentro del cual alguna actividad parcial pueda pensarse como esencial, pues todas lo son. Asumo este neologismo tomado de los escritos recientes de Niklas Luhmann en el sentido, referido inicialmente a una disposición del arte de tejer (la trama o entramado), del significado que recoge el Diccionario para “Contextura”, de "Compaginación, disposición y unión respectiva de las partes que juntas componen un todo" (DRAE, 1984). A diferencia del "Contexto" (y el admitido adjetivo "contextual") que tiene como referencia primaria un entorno, la contextura se refiere a la complejidad del sistema. Se refiere con ello también a que la complejidad implica tal cantidad de posibilidades que obliga a proceder selectivamente. Además de la significación tomada de G.Günther, nos interesa en este contexto señalar otra de las características de este tipo de sociedades. Me refiero al excedente de posibilidades (no sólo excedente cuantitativo, sino también cualitativo) que nos obliga a los ciudadanos de tales sociedades a proceder selectivamente. El mantenimiento de la multiplicidad de posibilidades implica que el sentido está siempre vinculado a lo plural por lo que la reducción de posibilidades nunca puede formularse binariamente («o esto o lo otro») sino, al menos, ternariamente («esto, lo otro o lo de más allá»). Esto tiene consecuencias para el sistema político y para la forma «democracia».

Definición aportada polo profesor Juan Luís Pintos, director do Grupo Compostela de Estudo sobre os Imaxinarios Sociais (http://gceis.net)
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Picture of Silvani Botlender Severo
by Silvani Botlender Severo - Sunday, 27 August 2006, 09:50 AM
 

A questão do sujeito remete-nos aos três pilares da transdisciplinaridade - os níveis de Realidade, a lógica do Terceiro Termo Incluído e a Complexidade que determinam a metodologia da pesquisa transdisciplinar (Basarab, 1997). O sujeito a partir da/na transdisciplinaridade pode ser olhado, pensado, sentido e percebido como um sujeito complexo. Um sujeito que esteja através, entre e além da dualidade sujeito-objeto. Faz-se necessário um olhar que contemple os diferentes níveis de percepção e conseqüentemente, de realidade. Para Morin (2002) " 'Eu sou eu' é o princípio que permite estabelecer, a um só tempo, a diferença entre o "Eu" (subjetivo) e o eu (sujeito objetivado), e sua indissolúvel identidade (p.120). "Eu sou eu" inclui uma dualidade implícita - em seu ego, o sujeito é potencialmente outro, sendo ao mesmo tempo, ele mesmo. "É porque o sujeito traz em si mesmo a alteridade que ele pode comunicar-se com outrem"  (...) "A compreensão permite considerar a outro não apenas como ego alter, um outro indivíduo sujeito, mas também como alter ego, um outro eu mesmo, com quem me comunico, simpatizo, comungo" (p.123).

O terceiro termo incluído, parece permitir ao sujeito romper com a lógica do Terceiro Excluído que afirma não existir um terceito termo que é ao mesmo tempo A e não-A. "Para Lupasco, a lógica é, na verdade, 'a própria experiência da lógica': o sujeito de conhecimento está, ele próprio implicado na lógica por ele formulada. 'A experiência' é a experiência do sujeito. O caráter circular da afirmação 'lógica como própria experiência da lógica' decorre do caráter cirular do sujeito: para definir o sujeito, seria preciso levar em consideração todos os fenômenos, elementos, acontecimentos, estados e proposições que dizem respeito a nosso mundo e, além disso, a afetividade" (Basarab, 2001).

Para Lupasco o sujeito nunca poderá ser definido. Pensando na complexidade o sujeito pode ser multidimensional, multifacetado, sapiens/demens, observador/ator/conceptor/observado e dialógico. (Morin, 2002).

Basarab, N. 1997.  A Evolução Transdisciplinar a Universidade -
Condição para o Desenvolvimento Sustentável. Conferência no Congresso International. "A Responsabilidade da Universidade para com a Sociedade", International Association of Universities, Chulalongkorn University, Bangkok, Thailand, de 12 a 14 de novembro de 1997

Morin, E. 2002. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 6.ed.  Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Nicolescu, B. 2001.  O terceiro incluído, da física quântica à ontologia.  In: Stéphane Lupasco: o homem e a obra.  São Paulo: TRIOM, 2001.

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